Prestes a completar cinco anos da maior operação de blackout econômico da história do capitalismo, com a subjacente operação psicológica de medo promovida durante a chamada ‘pandemia’ da Covid-19 em 2020, a CIA, órgão de inteligência americano, admite, finalmente, que o vírus foi “vazado” de um laboratório em Wuhan, na China. 1 Mas será que foi isso mesmo?
A afirmação surge no contexto da posse do novo presidente dos EUA, Donald Trump, que assumiu o poder em 20 de janeiro de 2025. O novo diretor da CIA, John Ratcliffe, indicado por Trump, parece dar sequência às diretrizes do novo presidente, abrindo espaço para o questionamento da narrativa oficial que envolve os temas centrais da ‘pandemia’.
Parece que envelheceu mal a carta escrita pelos aceitacionistas defensores da ciência na revista The Lancet em março de 2020, que vieram a público para “condenar veementemente as teorias da conspiração que sugerem que a Covid-19 não tem uma origem natural.” A carta declarava cinicamente:
Cientistas de vários países publicaram e analisaram genomas do agente causador, o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2), e eles concluem esmagadoramente que esse coronavírus se originou na vida selvagem, assim como tantos outros patógenos emergentes.
Dado esse enorme fracasso analítico, parece que se abre um portal de oportunidades para os “negacionistas” questionarem as técnicas de “análise de genoma” adotadas como padrões inquestionáveis da biologia molecular para a compreensão de temas como a origem de um vírus, dentre outras. Signatário e organizador da carta, Peter Daszak tinha boas razões para impedir que a verdade viesse à tona.
Desde 2010, Daszak trabalhou em colaboração com o diretor científico da Organização Mundial da Saúde (OMS), Jeremy Farrar, com amostras virais de morcegos2, conformando o que viria ser a EcoHealth Alliance, organização que trabalhou em conjunto com o Instituto de Virologia de Wuhan: “Daszak trabalha em estreita colaboração com o Instituto de Virologia de Wuhan (WIV) — o laboratório em questão que possivelmente vazou o vírus — e com dezenas de outros em pesquisas controversas de ganho de função, que envolvem a manipulação de patógenos, incluindo coronavírus, para torná-los mais infecciosos ou letais.”3
Em janeiro de 2021, a própria OMS criou uma comissão de investigação para tratar da origem laboratorial do vírus da Covid-19, que ela mesma inicialmente havia descartado como uma teoria da conspiração. Mas, para evitar o estrago, Daszak foi um dos chefes da investigação, ou seja, ele era o suspeito e o juiz da situação. A credibilidade da investigação da OMS, portanto, estava condenada por conflitos de interesses.
Em 2020, a hipótese da origem laboratorial do vírus já era aventada por analistas, cientistas e cidadãos em todo o mundo. Contudo, houve uma violenta censura sobre o tema, constantemente associado a teorias da conspiração ou ao “negacionismo” científico. Mas ninguém conseguiu conter o trabalho de investigação que foi inaugurado por um grupo de cidadãos, cientistas e investigadores independentes, que tinham em mãos apenas seus computadores, uma grande desconfiança e muita determinação. O Drastic Research (Decentralized Radical Autonomous Search Team Investigating Covid-19) foi criado na esteira do fenômeno de descentralização jornalística que a internet e as redes sociais tornaram possíveis. O grupo coletou uma série de documentos, pistas e denúncias que compõem um poderoso material de investigação sobre a origem laboratorial da Covid-19. As investigações do grupo foram capazes de furar a bolha jornalística da mídia corporativa, como uma reportagem feita pela rede estatal alemã Deutsche Welle acerca das descobertas levantadas pelo grupo.4 O site do grupo Drastic reúne hoje uma pilha de materiais a serem explorados a respeito do tema.
Em todo caso, a origem laboratorial da Covid-19 já vinha sendo debatida publicamente, em contraste com o clima de censura que fora imposto em 2020. Além do comitê de investigação fake criado pela OMS, em fevereiro de 2023, o The Wall Street Journal noticiava que o Departamento de Energia dos EUA admitia que a origem mais provável da ‘pandemia’ de Covid-19 teria sido um “vazamento de laboratório”. Em setembro de 2023, a revista Science noticiava como membros da CIA foram subornados para rejeitar a teoria do vazamento de laboratório. Comitês de investigação, reportagens e debates públicos foram surgindo, e cada vez mais a hipótese tem se estabelecido como uma explicação plausível para a origem da Covid-19.
Contudo, como boa ‘negacionista’ que sou, devo advertir que todas as hipóteses devem ser questionadas, inclusive a da origem laboratorial do vírus. Partindo de um nível básico de questionamento, há uma enorme gama de discussões que se abrem no terreno das explicações sobre a ‘pandemia’ da Covid-19, discussões que confrontam o tema da ‘origem do vírus’.
A primeira das explicações, que é mais amplamente acolhida pela mídia corporativa, é a tese do ‘vazamento’ de laboratório. Essa hipótese aceita as premissas de que havia um estudo de ganho de função no laboratório de Wuhan, mas segue com a explicação de que houve um vazamento não intencional. Tais premissas conduzem, por sua vez, às conclusões de que tudo o que veio a partir daí é verdadeiro: efetivamente houve uma ‘pandemia’, o vírus era mortal, foram necessárias todas as medidas draconianas, muitas pessoas morreram pelo vírus, etc.
Primeiramente, é totalmente legítimo questionar o vazamento não intencional de laboratório. Considerando a dimensão da ‘pandemia’, o preparo que houve para sua execução — como o Evento 201 —, a crise econômica que emergia em setembro de 2019 no mercado financeiro americano, os relatórios da BlackRock sobre a necessidade urgente do FED de emitir ‘dinheiro de helicóptero’, a poderosa influência da indústria farmacêutica, que, em certa altura da ‘pandemia’, ofertaria à humanidade a imaculada injeção que salvaria todos do ‘vírus mortal’, enfim, a articulação de todos os temas que envolviam essa grande operação econômica e psicológica sobre toda a humanidade, com base nisso tudo, é improvável concluir que se tratou de um ‘vazamento não intencional’.
Outro nível de questionamento emerge da verdadeira letalidade do vírus da Covid-19, dado que, em 2020, estudos apontavam que se tratava de um vírus de baixa letalidade, sendo o mais importante deles a publicação de Ioannidis5 e o caso do cruzeiro Diamond Princess6. Se o vírus sofreu ‘ganho de função’, não deveria ele ser algo mais mortal que uma gripe comum? Em todo caso, discute-se que a doença promovida pela Covid-19 tem características excepcionais, como a sua capacidade tromboembólica, o que pode ser resultado do ganho de função. Essa é uma leitura.
Ademais, se o vírus surgiu de um laboratório, suporíamos verdadeira a seguinte explicação: uma pessoa contaminada em Wuhan viajou para outro país e contaminou outra pessoa, que por sua vez contaminou mais alguém, e assim sucessivamente, até que o vírus se espalhou por todo o globo terrestre. Essa explicação parte de diversas premissas sobre o comportamento de um vírus que são muito questionáveis e sobre as quais não há, definitivamente, um consenso científico.
Outro nível de questionamento que entra em conflito com a teoria do laboratório é aquele apresentado por cientistas como Denis Rancourt, cujas investigações concluem que as pessoas não morreram de Covid-19, mas sim de pneumonia bacteriana — adquirida em hospitais ou em decorrência das próprias medidas impostas pelos governos, como lockdowns, protocolos hospitalares letais e a proibição de tratamentos adequados —, o que teria afetado mais diretamente os setores mais pobres da população. As colocações de Rancourt não corroboram a derivação de todos os acontecimentos a partir da existência de um vírus mortal. Logo, o vazamento de laboratório torna-se uma explicação secundária e frágil.
Por fim, cabe mencionar o nível mais profundo da divergência, que é a própria existência de vírus como agentes patogênicos. Ainda que censurada e perseguida violentamente na academia, há cientistas que questionam a existência de vírus ou, pelo menos, a relação entre doenças, sintomas e vírus. Trata-se de uma outra perspectiva sobre a fisiologia humana, que envolve a rejeição da teoria dos germes de Pasteur, direcionando-se a uma explicação mais abrangente acerca da doença, baseada na teoria dos terrenos de Béchamp. Algumas discussões, como as de Stefan Lanka, questionam premissas de técnicas laboratoriais da biologia molecular estabelecidas há pelo menos um século.7 O que me parece bastante interessante, pois muitos cientistas hoje desenvolvem suas pesquisas e hipóteses com base em premissas que foram estabelecidas há muito tempo, sem que ninguém tenha tido a coragem de revisitá-las e confirmá-las. Isso nos leva à assustadora possível conclusão de que uma parte significativa de toda a pesquisa médica pode ter sido erguida sobre premissas equivocadas, o que poderia demolir todo o castelo da ciência médica contemporânea e, principalmente, da biologia molecular.
A hipótese da origem laboratorial do vírus da Covid-19 abre muitos questionamentos, cujas explicações ainda não foram encontradas. Um deles, por exemplo, é a relação oculta do governo chinês com a EcoHealth Alliance e, por sua vez, com as operações de criação de armas biológicas conduzidas pelos EUA através do DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency). Peter Ben Embarek, um cientista que dirigiu a One Health Initiative da OMS, comentando a ‘investigação’ realizada pelo comitê da OMS em 2021, afirmou honestamente: ‘A política sempre esteve na sala conosco, do outro lado da mesa’ (…). Tínhamos entre 30 e 60 colegas chineses, e um grande número deles não eram cientistas, nem do setor de saúde pública. Sabemos que havia um grande escrutínio sobre o grupo científico por parte de outros setores.’ Nesse sentido, é muito difícil supor que, se houvesse estudos de ganho de função realizados por iniciativas americanas no Laboratório de Wuhan, o poderoso governo chinês não tivesse ciência desse assunto. Ademais, a própria atuação da China durante a Covid-19, que dobrou a aposta participando do teatro macabro pandêmico, coloca muitas questões, assumindo que haja uma oposição na geopolítica global entre EUA e China.
Análises muito simplistas ocupam o debate sobre a relação China versus EUA durante a ‘pandemia’ da Covid-19. Por um lado, os críticos da ‘pandemia’ que se localizam à direita na política atribuem à China a responsabilidade pelo vazamento laboratorial do vírus. Tal conclusão parte da premissa de que o ‘globalismo’ é um movimento comunista e que a China, portanto, encabeça o movimento. Tal análise é estapafúrdia, dado que os próprios EUA estão envolvidos até o pescoço com os crimes da ‘pandemia’. Ademais, as diretrizes draconianas que o mundo todo adotou tiveram como referência as próprias diretrizes de Anthony Fauci, enquanto diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) nos EUA. Tais análises, contudo, foram defendidas por pessoas como Naomi Wolf, que, embora tenha publicado um livro interessante sobre os documentos da Pfizer divulgados pelo FOIA nos EUA, é geopoliticamente analfabeta no tema ‘pandemia’. A virologista Li-Meng Yan, embora tenha publicado artigos interessantes sobre as características genômicas do vírus da Covid-19 — o que corrobora a hipótese de origem laboratorial —, reduziu-se também a uma propagandista do Ocidente, dado que é uma inimiga mortal do Partido Comunista Chinês.
Por parte da esquerda, por outro lado, há aqueles que já absolveram a China de toda culpa, como é o caso da obra Capitalism, Coronavirus and War: A Geopolitical Economy, da indiana Radhika Desai. Tal obra representa bem a decadência intelectual da esquerda pequeno-burguesa, cujas premissas científicas parecem ter saído direto do escritório de Bill Gates e são assumidas como cláusulas pétreas do ‘marxismo’. Mas, para defender tais absurdos, os apologistas precisam assumir que as violentas medidas da China, como a testagem em massa, a vacinação e os confinamentos em larga escala, bem como o estado policial de vigilância digital, foram resultantes da mais pura fidelidade à ciência. Embora o livro seja um fracasso, ele representa bem a incapacidade da esquerda em geral de pensar os temas da ‘pandemia’.
Por fim, se a teoria da origem laboratorial do vírus da Covid-19 for verdadeira, seria uma grande oportunidade para os aceitacionistas, em especial a esquerda pequeno-burguesa domesticada pelo imperialismo, repensarem tudo o que consideram verdadeiro sobre os temas relacionados à ‘pandemia’. Afinal, até recentemente, essa hipótese era etiquetada de ‘negacionista’, mas agora não é mais. E o que mais poderia ter sido considerado ‘negacionista’ e, hoje, já não é?
- https://www.ft.com/content/9880273c-8517-4502-abf0-e667319ea6bd ↩︎
- https://usrtk.org/wp-content/uploads/2025/01/NIH-FOIA-Request-55569-November-Production_Redacted-p-68.pdf
↩︎ - https://childrenshealthdefense.org/defender/conflicts-of-interest-taint-investigations-Covid-origins/
↩︎ - https://www.dw.com/en/covid-19-special-tracking-the-pandemics-origin/video-59033078 ↩︎
- John P.A. Ioannidis, Cathrine Axfors, Despina G. Contopoulos-Ioannidis, Population-level COVID-19 mortality risk for non-elderly individuals overall and for non-elderly individuals without underlying diseases in pandemic epicenters, Environmental Research, Volume 188, 2020, https://doi.org/10.1016/j.envres.2020.109890.
↩︎ - Russell TW, Hellewell J, Jarvis CI, van Zandvoort K, Abbott S, Ratnayake R; CMMID COVID-19 working group; Flasche S, Eggo RM, Edmunds WJ, Kucharski AJ. Estimating the infection and case fatality ratio for coronavirus disease (COVID-19) using age-adjusted data from the outbreak on the Diamond Princess cruise ship, February 2020. Euro Surveill. 2020 Mar;25(12):2000256. doi: 10.2807/1560-7917.ES.2020.25.12.2000256. PMID: 32234121; PMCID: PMC7118348.
↩︎ - Lanka, Stefan. Fehldeutung Virus. Wissenschafftplus Magazin, LK-Verlags UG, 2020. – Também o artigo de David Skripac, Our Species Is Being Genetically Modified. Are We Witnessing Humanity’s March Toward Extinction? Viruses Are Our Friends, Not Our Foes, que oferece uma explicação simples e abrangente da polêmica em torno desses dois paradigmas da medicina. Acesse em: https://www.globalresearch.ca/our-species-genetically-modified-witnessing-humanity-march-toward-extinction-viruses-friends-not-foes/5763670 ↩︎

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